Antes do UFC Rio, tem UFC Pepsi. Pode Ser?
Antes que chegue o UFC Rio 4, hoje é dia de aperitivo em Seattle: Johnson versus Moraga. Digo aperitivo porque, apesar da luta envolver cinturão, com lutadores extremamente talentosos, a categoria peso-mosca parece não ter conseguido sucesso com o público. E nem comigo!
São lutas rápidas, bem técnicas, muitas vezes cheias de reviravoltas e até legais de assistir, mas parece que falta algo. Talvez seja a mão pesada, o nocaute. Não é à toa que os levinhos têm um cachê muito menor do que os dos grandões. Não concordo, mas entendo. Enxergo o lado dos lutadores e também da organização do evento.
O outro problema do evento de hoje é o restante do card principal e também o card preliminar, repletos de medianos. Nesta edição não tem nenhum grande nome ou grande lutador em ascensão. O diferente é ter duas lutas femininas, coisa inédita em uma mesma edição do UFC. Bacana para Jéssica Andrade, a primeira brasileira contratada deles. Bom também para a mulherada, que ganha espaço, mas as lutas não vendem muito bem ainda.
Só que isso tudo já era de se imaginar. Quando você vê no título do evento “UFC on FOX”, pode saber que não é coisa de primeira.
Desde o início do UFC as edições foram marcadas por números em ordem crescente e foi assim por um bom tempo. Anderson Silva e Weidman lutaram o 240° evento do UFC, porém o nome do evento foi “UFC 162: Silva X Weidman”. Não bate, né? Eu explico:
No começo do crescimento do UFC, após a compra da marca pelo irmãos Fertitta - os donos da franquia -, a empresa ainda sem a solidez de hoje, começou a ter eventos “especiais” que prometiam melhores lutas, espetáculos, novos caminhos e com isso surgiram novos títulos para os eventos. Entre o UFC 7 e o UFC 8, em 1995, tivemos o “UFC the Ultimate Ultimate”. Foi o primeiro a fugir da regra dos números (nesse caso, para melhor). O evento foi recheado de mitos da época e foi disputado no sitema de mata-mata. Depois tivemos a segunda edição e assim a coisa andava e evoluía devagar. Nessa mesma ideia tivemos o UFC Japan, o UFC Brazil e por aí vai.
Mas o UFC decolou mesmo em 2005, com o surgimento do primeiro reality show de lutadores, o TUF - The Ultimate Fighter. A audiência do progama foi lá em cima e tivemos a primeira edição de um UFC para o encerramento de um TUF. O “The Ultimate Fighter 1 Finale” também não foi numerado, mas marcou uma era.
Depois disso, como podemos notar, o UFC só cresceu e atraiu canais de televisão que queriam patrocinar o evento e transmitir as lutas, além da própria organização que não parava de ganhar dinheiro. Nessa vem o efeito colateral ruim da brincadeira: começaram a pipocar uma penca de eventos menores, os “UFC Fight Night”. As edições passaram a levar o nome dos canais patrocinadores. Hoje temos UFC on FOX, FOX Sports, Live, FX, FUEL TV, além das outras edições de TUF. Com tantos diferentes, os eventos numerados ficaram reservados para grandes noites do UFC, com os melhores e renomados lutadores e os eventos restantes, enfraquecidos, levam a fama de mais ou menos.
A parte boa da coisa é que existe muito espaço para novos lutadores e novas categorias. Sempre podemos acompanhar boas lutas e com isso o esporte não para de crescer. A parte ruim é que a empresa hoje tem tantos atletas que isso baixou a qualidade das lutas e dos eventos. Vemos muitas lutas ruins ou amarradas, principalmente nessas edições menores. É como uma grande empresa com seus produtos que tem a linha premium a normal e a de segunda categoria.
E assim será o UFC Johnson x Moraga, peixes pequenos nos aquecendo para o UFC Brasil (UFC 163) no outro sábado, esse sim, numerado e grande. Promete ser o maior evento que já esteve por aqui, ainda puxando sardinha e recheado de brasileiros. Mas também já se sente um cheiro das lendas estrangeiras chegando. Teremos cinturão com José Aldo; Lyoto Machida contra o top e pedreira Phil Davis; estreia de Cezar Mutante; retorno de Thales Leites; meu ídolo John Lineker “mãos de pedra” e várias boas lutas e bons nomes, mas isso é assunto para semana que vem!
Gabriel Pereira

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