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Nome e sobrenome lá na Europa

- Pode ter nome de cantor sertanejo; de jogador de futebol não -
A bola vivia indo para o lado direito. O outro time atacava mais pela esquerda e o time daquele lateral, mesmo sem razão aparente, insistia em ir por aquele lado. E me incomodava. Nem tanto pelas jogadas que não saíam, porque eu estava querendo mesmo que ficasse empatado, mas o nome dele tirava minha atenção do jogo. Raio de nome que não combina com nada disso que estou vendo!

Eu cresci com Cafu na direita. Antes tinha o Jorginho. No pessoal que foi pra Copa ali naquele pedaço de 90 até 2006 você encontra um Zé (Carlos) e dois 'inhos', o próprio Jorginho e o Cicinho. O único que usava o sobrenome, usava somente ele, era simplesmente Belletti. Tem até um som engraçado, fácil de dizer e lembrar. Mas na última Copa já não foi bem assim.

Tinha o Maicon. Beleza, esse passa. A nacionalização do Micheal é bem nossa, aprovado. E tinha o Daniel Alves. Nada exagerado, eu sei, mas pra mim, hoje soa como um marco do jogador de terno e gravata dentro de campo (mesmo que no caso de Daniel Alves seja um terno bordô, com uma gravata xadrez verde e um tênis daquele que pisca quando você pisa).

E partindo daí, ou passando por aí, que chegamos no lateral do começo da história, o lateral do Fluminense, Igor Julião. Igor Julião! Gente, o que aconteceu com o Iguinho? Duvido que na infância os amiguinhos diziam no pique pega: "tá com o Igor Julião". Pode parecer bobeira, mas o futebol alegre que todos nós dizemos gostar de ver morre um pouco aí.

Nosso maior símbolo, que acreditamos (eu pelo menos acredito) ser o melhor de todos os tempos, não foi o Edson Arantes. Ou Edson Nascimento, que seria ainda menos futebolístico.

Aí vem a notícia que um (pobre) menino que joga nas categorias de base do Corinthians chama-se Petroswickonicovick Wandeckerkof. Não é mentira, nem exagero, nem gringo. Vou colar o link da matéria no final do texto. Mas, além do que obviamente chama atenção, eu me surpreendi com o nome que o moleque vai querer usar um dia como profissional: Petros Silva. Eu sei que Silva é muito nosso, mas pra que ter nome e sobrenome? Petros já está legal. Se der bobeira, a torcida ainda joga pra Pet. 

Mas, fazer o quê? O menino já sobe com vontade. O empresário acha que é mais sério para trabalhar, o assessor aprova, o treinador ignora. 

Você pode argumentar citando Carlos Alberto Torres. Não sei você, mas eu já conheci como Capita. E se você conheceu antes, eu sei que concorda comigo, que todos esses nomes-e-sobrenomes, de que nossa primeira divisão está cheia (Ricardo Goulart, Vinícius Araújo, Renan Oliveira...), burocratizam a molecagem.

Vocês acham que a torcida do Corinthians gostaria tanto do Bruno Bonfim quanto gosta do Dentinho?

Não que o nome simples ou engraçado seja sinônimo de sucesso, mas garanto que se William Barbio fosse William Cabeleira seria um personagem muito mais interessante. E no fim da carreira dele provavelmente seria lembrado com algum carinho, como os Bujicas e Tupãzinhos por aí.

O tal do Igor Julião não está fadado ao fracasso. Não vi nada de mais, nem nada de menos, mas não posso opinar com clareza porque cada vez que o narrador dizia Igor Julião, eu sentia pelo nosso futebol e dispersava minha atenção.

Não é regra, mas é conceito que defendo: deixa o nome e sobrenome lá na Europa. 

Quanto ao lateral, sei que não vai acontecer, mas se virasse Iguinho, ganharia um fã.

Ah, e o Petros: http://globoesporte.globo.com/futebol/times/corinthians/noticia/2013/08/petroswickonicovick-wandeckerkof-ele-e-alagoano-e-joga-no-corinthians.html

Ricardo Vieira

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