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Herói de plástico



Já vou logo avisando: nunca gostei do Anderson Silva e sempre torci contra. Sim, estou muito feliz com a derrota e já explico o motivo. Primeiro vamos colocar uns pingos nos “is”.

Depois do resultado inesperado, vi muita gente falar em armação. Sério, isso me revolta. Por que foi armada?

Spider sempre lutou assim. MUITAS vezes fez ainda pior quanto a brincadeiras e desrespeito. Quem espalha a “teoria da conspiração” sem conhecer o esporte, deveria assistir as lutas contra os brasileiros Thales Leites e Demian Maia. Também poderiam me explicar como essa marmelada funciona, sendo que os dois lutadores distribuíram socos e chutes com enorme potência a rodo. E se o Anderson acerta algum deles? O que faz com a armação?

Há pouco tempo, uma propaganda enorme foi feita em cima da lutadora Ronda Rousey. Tudo indicava – e realmente era - que o UFC queria Ronda como a primeira campeã da categoria. Tudo para facilitar a divulgação do MMA feminino do UFC. Justo, até porque ela é medalhista olímpica, linda, fala bem... Tudo encaminhado até a adversária, no início da luta, grampear as costas de Ronda e quase finalizá-la com um mata leão. Sorte (sorte, repito) do UFC que não isso aconteceu, mas é fato que bateu na trave.

Existiram muitas zebras na história do evento que já complicaram os planos da organização.

E ainda tem aquela do pessoal que sabe de tudo: o Anderson não quer mais lutar. Não? Mas ele renovou o contrato há pouco mais de um mês - por mais dez lutas. As informações não batem, né?!

E se você está ainda está se perguntando por que eu nunca gostei do Anderson Silva (talvez até me chamando de antipatriota, como já fui acusado), eu explico:

É sem dúvida o atleta mais talentoso de artes marciais que eu já vi. E pode parar por aí. Em entrevistas, nunca vejo a pessoa de verdade, vejo uma marionete, que fala o que tem que falar. A postura dele nas lutas está longe de ser aprovada pela filosofia das artes marciais. Ninguém gosta de ver deboche e desrespeito e isso era o que eu mais via naquelas lutas.

A crítica poderia vir por eu não torcer por um cara que representa meu país. Será que ele representa bem? Ele é o brasileiro que xingou - durante cinco rounds - seu compatriota Demian Maia para o mundo todo ver. E o que disse mil palavrões e fez gestos obscenos para (outro brasileiro) Thales Leites na disputa do cinturão.

Antes de brasileiro, sou ser humano e me importo com educação, respeito e outros valores que faltam ao Anderson em suas lutas. Sábado, no meio do silêncio causado pela surpresa da sua derrota, eu pude soltar um grito grande e preso na garganta: OTÁRIO!

Dou valor às lágrimas de Edson Barboza e sua humildade; à história de Roger Gracie, construída sempre com simplicidade. Derrota nenhuma apaga isso. Dou valor à raça de Charles do Bronx e sua determinação pela vitória. Valorizo a mesma pessoa que Gabriel Napão foi no auge da carreira, foi na má fase e é na nova sequencia de vitórias.

Todos brasileiros que lutaram no UFC 162, menos um: sou brasileiro como vocês sim e me orgulho disso. Vocês me representam e representam meu país. Mas você não Anderson, herói de plástico. O povo brasileiro sempre foi reconhecido pela humildade.

Obrigado Chris Weidman! Se por alguns minutos eu fui americano, ou você brasileiro, eu não sei, mas sei que tudo foi ótimo.

Viva o esporte e suas lições de vida!


Gabriel Pereira

1 comentários:

  1. Seu texto está ótimo como sempre sou seu fã, apesar de eu discordar em vários pontos. Achei a luta uma merda, fiquei realmente revoltado com mais um exagero do Anderson Silva. Mas a minha relação com os esportes me mostra que sentirei falta dele e de suas esquivas.
    Muhammad Ali, na minha opinião o maior pugilista de todos os tempos, (mesmo com o Mike Tyson tendo me feito passar madrugadas a fio acordado para vê-lo estraçalhar os adversários) "dançava" na frente de seus adversários, lutava com a guarda baixa utilizando a esquiva de uma maneira fantástica. Ele falando se si mesmo disse que "flutuava como borboleta e picava como abelha".
    As lutas de Ali são lindas de se assistir, se um dia eu quiser apresentar o boxe a alguém que nunca viu o esporte, apresento através das lutas de Ali.
    Eu sou um incorrigível saudosista na vida, no esporte então nem se fala. Anderson não esconde que é fã de Muhammad e que se inspira em seu estilo. O único problema é quando Anderson se esquece de ser abelha, de picar.
    O politicamente do terceiro milênio (meu momento Galvão Bueno) está me incomodando muito. O que seria do Viola, do Paulo Nunes, do Edmundo, do Túlio Maravilha, do Renato Gaúcho, Edílson e de tantos outros jogadores, que fizeram história pelos belos gols e
    pelos deboches, no mundo de hoje ainda como atletas?
    Comemorar de máscara não pode, driblar por driblar não pode, levantar a camisa com algo escrito não pode, gritar "Eu sou Foda" não pode, mandar beijinho de deboche para o adversário não pode. O futebol ta ficando chato, assim como o UFC começou a ficar no último sábado. Se Anderson tivesse aplicado um golpe fatal antes de ser nocauteado, todos estariam exaltando suas habilidades, seu sensor aranha na hora de se esquivar, mas ele perdeu. Ninguém estava preparado para ver aquilo, nem você, tanto que posso imaginar o tamanho da surpresa no seu grito ao fim da luta.
    De todos que passaram pelo UFC até agora, acredito que Anderson será o mais lembrado, não só pelas vitórias, mas pela máscara que usou na pesagem com Victor, pelos dribles, pelo grito "Nunca Serão" equivalente a um "Eu Sou foda" após vencer Okami no UFC 134 no RIo, pelo "beijo" em Weidman, enfim, o atleta que tem esse diferencial me agrada muito, pois ele é mais lembrado pelo menos por mim. As apresentações desses atletas são um espetáculo diferenciado.
    Lembro mais de Romário do que de Bebeto.
    Lembro mais de Edmundo do que de Evair.
    Lembro mais de Túlio do que de Sérgio Manoel.
    Lembro mais de Paulo Nunes do que de Euler.
    Lembrarei mais de Anderson Silva do que de Weidman!!!

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