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Até que a Europa os separe

Paulinho e a camisa do Corinthians: um casamento feliz

A união entre ídolo e torcida muitas vezes pode ser comparada ao casamento de duas pessoas comuns. Nem sempre é amor à primeira vista. Como nos mais saudáveis, a relação vai sendo construída naturalmente, à base de entrega, bons momentos e admiração. Quando o relacionamento entre a torcida do Corinthians e o volante Paulinho do Bragantino começou, ele poderia muito bem ser mais um, como uma daquelas pessoas que passa na nossa vida e simplesmente passa. Mas, desta vez, não foi preciso perder para valorizar. Em nenhuma das duas partes desta união.

Paulinho, talentoso, se destacou aos poucos, se entregou e ganhou a confiança. Isso permitiu que a relação evoluísse. Vieram os bons momentos e a admiração. Foram 34 gols. 34 vezes que o jogador levou o escudo da camisa, o símbolo máximo da união, à boca. Mordeu, beijou, escancarou o amor e os dois chegaram juntos ao maior momento da história deles. Como em um relacionamento extremamente feliz, onde os amantes têm a impressão de estar no topo do mundo, Paulinho e a torcida chegaram lá, quase literalmente.

A última partida de Paulinho pelo Corinthians aconteceu no dia 25 de maio. Pra variar, o volante-artilheiro fez o gol do time no empate contra o Botafogo. Mas não foi a última vez que vestiu a camisa do time. A façanha é que mesmo com quase dois meses depois, hoje ele é ainda mais ídolo.

Paulinho foi servir à pátria. O fez como quem defende seu amor. Jogou como se estivesse jogando no Corinthians e a admiração cresceu ainda mais. Agora tem que seguir adiante, mas quando foi dar a notícia para a torcida, chorou. Tem aquela: se você ama alguém, deixe-o ir. Se ele voltar, é seu. Ele prometeu voltar.

Quando Paulinho apareceu de calça jeans e camisa de jogo no campo durante comemoração da Recopa ontem, já fez a primeira volta. Na cena que eu nunca vi na minha vida, vi o ídolo que o torcedor corintiano nunca teve. Um pequeno degrau acima daqueles que foram incríveis, mas que não venceram a Libertadores e que saíram pela porta dos fundos.

Paulinho tem tudo pra brilhar na Europa e na seleção. E, se voltar, ser esse maior ídolo da história. E fechar a linda história, como um casamento feliz.

Ricardo Vieira

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