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Corre por ela, papai

Pai pela primeira vez, Bruno Barra agora tem uma enorme razão para lutar mais e ajudar o Volta Redonda nas próximas competições


Volta Redonda

O malandro entra na casa vestindo bermudão, boné, chinelo nos pés e mãos dadas com a princesinha que o pai criou com todo carinho. Com a fala arrastada, vai logo puxando papo: "E aí, sogrão?! Fiquei sabendo que você jogava muita bola". O pesadelo que amedronta grande parte dos pais de meninas ainda está longe de ter chances de acontecer para Bruno Barra, mas ontem ficou significativamente mais perto. No dia 23 de julho, nasceu a pequena Maria Laura, a primeira filha do volante do Volta Redonda. Um dia antes, a ficha ainda não tinha caído. 

- Como você está se sentindo? 

- Estou bem contente, mas, na verdade, eu só vou poder responder com clareza amanhã, quando minha filha estiver nos meus braços. 

O nascimento de Maria Laura marca uma nova fase na vida do jogador que chegou novo para se tornar uma das crias da divisão de base do Volta Redonda. Veio de Barra do Piraí, terra que é a razão de seu nome no futebol. “Foi o Orlando, meu primeiro treinador aqui. Eram uns três Brunos no time e não dava pra ele gritar só ‘Bruno’, então criou o apelido. Bruno Barra. Tá bom, ficou legal”, reflete com um sorriso no rosto. 

Sorriso que Bruno tenta disfarçar quando lembra quem era reserva de um meio campo formado por ele e outros talentosos garotos nos tempos de base no Royal de Barra do Piraí: Ramires. “Como ele chegou depois e era um ano mais novo, ficava no banco, mas entrava em todos os jogos. A gente sabia da qualidade dele, corria pra caramba, mas não tinha muita oportunidade, até porque na base nosso time era muito bom”, conta, com orgulho de ainda ser amigo de um dos astros do futebol brasileiro apesar do contato escasso dos corridos dias de hoje, bem diferentes do tempo de Barra do Piraí.  

Apesar de promissora, daquela safra do Royal apenas Bruno e Ramires vingaram. Outros talentos foram sucumbindo à difícil vida de jogador de futebol, que muitas vezes abrange distância dos familiares e salários atrasados. Bruno Barra passou por isso, mas não desistiu. Depois de ser revelado pelo Volta Redonda, o jogador foi contratado pelo Macaé. Do outro lado do estado, ele passou por dificuldades no último ano. “A gente tem que botar comida dentro de casa, pagar contas e três meses sem receber é complicado. A gente é como um trabalhador comum”, desabafa. Mesmo assim, Bruno Barra lembra com carinho da passagem pelo antigo clube e atribui isso ao treinador Toninho Andrade, que à base de diálogo conseguia manter todo o grupo unido e motivado. “A gente estava há três meses sem receber e estava feliz. Vai entender, né?”, relembra. 

Mas aquela felicidade não colocava comida dentro de casa e nem pagava as contas. Foi a família que não deixou a peteca cair. “Pai e mãe não tem jeito, quando a gente mais precisa, é onde a gente deve contar”, acredita. É também por eles que Bruno Barra corre em campo. Valorizando a família e tentando não deixar que os problemas extra-campo atrapalhem, o volante se esforça ainda mais sabendo que tem gente torcendo por seu sucesso. “É tão bom quando você liga para os pais, para os amigos depois de ganhar um jogo e eles ficam felizes”, comenta. 

As próximas ligações desse tipo podem voltar a acontecer após os jogos da Copa Rio. Contente com o desempenho do time no icio do trabalho do treinador Cairo Lima, Bruno acredita que a equipe tem boas condições de fazer uma boa competição e buscar a vaga para Série D do ano que vem. “Quando o Cairo chegou e implantou o trabalho dele, os jogadores apostaram e deu certo. Se deu certo antes, não tem por que duvidar”, afirma.   

Com contrato até o fim de 2014, o volante é uma das esperanças do Volta Redonda. E a recíproca é verdadeira. Uma boa Copa Rio, em seguida um bom Campeonato Carioca pode ser o caminho para Bruno Barra realizar o sonho de jogar em um time grande. Mesmo com 27 anos, a vontade continua a mesma. “É como se eu tivesse meus 18, 19 anos. Estou correndo do mesmo jeito”, garante, sem se esquecer de Jonilson, que também é volante cria do Voltaço e que saiu do clube com mais de 25 anos para realizar esse sonho. 

Para chegar lá, Bruno já colocou duas coisas na cabeça. A primeira é que: “não adianta pensar em fazer um bom campeonato só pra sair. Tem que pensar aqui e agora. O importante é aqui”. A segunda ele diz que resume a própria vida: não desistir. “Nunca desisti de nada, independente se está difícil ou não. Se vai dar certo a agente não sabe, mas não pode desistir. Tudo que eu botei na minha frente eu lutei e consegui”, conta, reconhecendo que agora tem um baita motivo a mais para chegar lá. 

(Reprodução Facebook)
- E agora? Pode responder a minha pergunta? 

- Rapaz, eu nunca tive essa sensação na minha vida. Quando eu vi, toda calminha, senti uma emoção tão grande... Estou muito feliz! 

- Mas ainda está preocupado com o dia que o namoradinho aparecer? 

- Olha, eu  achando que não vou ser assim não. Estou mais babão que os avós dela! Mas não sei como vai ser quando o malandro aparecer. Aí vamos ver! 

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