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No primeiro teste, Voltaço perde por 1 a 0

Volta Redonda

Em jogo treino no Raulino de Oliveira, o Volta Redonda enfrentou hoje (12), 10h, um dos adversários mais fortes que poderá ter pela frente na Copa Rio. O Audax, que manteve a base que disputou o estadual, inclusive com os conhecidos Fabiano Eller, Andrade e Nélio, venceu a partida por 1 a 0, com gol do atacante Denilson.  

O Volta Redonda, reformulado após a disputa do Carioca, fez o primeiro teste com a equipe que vai para a Copa Rio. O técnico Cairo Lima iniciou o jogo com Gatti; Rodrigo Paulista, Arthur, Marcelo e Arimax; Bruno Barra, Éder, Chrys Ferraz, Salomão, Zé Augusto e Chrys Ferraz; Thiago Amaral. O esquema foi bem parecido com o utilizado no estadual, com dois volantes, um meia centralizado (Zé Augusto) e dois pontas que acompanham os laterais adversários, Salomão na direita e Chrys Ferraz na esquerda. Thiago Amaral apareceu como único atacante.  
  

Poucas oportunidades  
  
Mesmo com mais entrosamento, o Audax não conseguiu dominar o jogo. O gol da vitória aconteceu ainda no primeiro tempo, após bobeada do zagueiro Marcelo, que recuou mal para Gatti. Denilson, esperto no lance, marcou. Apesar do erro, Marcelo foi um dos poucos destaques individuais da equipe, ganhando praticamente todas as disputas com os atacantes do Audax. 
   
O gol foi um dos raros lances de finalização do jogo. As duas equipes criaram pouco. O Volta Redonda chegou com perigo somente aos 32 minutos da primeira etapa, em cabeçada de Chrys Ferraz, após cruzamento do lateral Rodrigo Paulista. O Audax não fez muito diferente e Gatti não fez uma defesa sequer antes do intervalo.  
  
No segundo tempo os donos da casa voltaram melhor. Cairo inverteu as posições de Salomão e Chrys Ferraz e a bola começou a chegar para Thiago Amaral. Mesmo assim, poucas chances foram criadas. 
  
Após os dez minutos iniciais, Cairo começou a mudar o time. O garoto Guilherme Luis entrou no lugar de Chrys Ferraz. Pouco depois, Pedro entrou no lugar de Éder e Elvis no lugar de Rodrigo Paulista. Eles entraram bem e o Volta Redonda quase empatou em cabeçada do zagueiro Marcelo.  
  
Após passarem quase 90 minutos criando muito pouco, nos últimos minutos as duas equipes tiveram grandes chances. O Audax por pouco não ampliou em falta cobrada por Douglas. A bola bateu no travessão e deu a impressão de ter cruzado a linha, mas o árbitro da partida não validou o gol. Logo depois, Arimax fez bela jogada pela esquerda, cortou dois marcadores, mas acabou dando um chute fraco que a zaga afastou.  
  
O Volta Redonda só deve voltar a campo no dia 25, contra o Tupi, em Juiz de Fora. Até lá, Cairo Lima vai tentar melhorar a chegada ao ataque do time. Para o treinador, a equipe ainda tem feito pecado na organização dos lances ofensivos. "É uma equipe que pode melhorar muito. Errou na hora de escolher a maneira para chegar ao gol, mas não tenho dúvida de que estamos no caminho certo. Não estou satisfeito com o resultado de derrota, mas foi um bom teste", acredita. 
  
O técnico também destacou a marcação do time, que impediu o adversário de ter mais chances na partida. "A marcação por pressão foi muito bem feita. Pressionamos a saída e recuperamos a bola muitas vezes. Isso não é coisa fácil de fazer", ponderou.  
  
Reforços  
  
De acordo com o treinador, o Volta Redonda ainda deve realizar mais duas contratações, um lateral esquerdo e um atacante de área para disputar a vaga com Thiago Amaral. Nas próximas semanas, Cairo já deve receber o meia João Paulo, que está no departamento médico, mas, em breve, já estará em condições de jogo.   

Jogo treino foi realizado com equipes jogando sem seus uniformes oficiais

 

Mineiro no comando

Com simplicidade e bons resultados em pouco tempo de trabalho, Cairo Lima tenta dar cara ao Voltaço

Foto: Paulo Dimas (Diário do Vale)

Volta Redonda
Cairo Lima tem a fala calma. Mineiro, encarna bem o a personalidade de quem vem daquela terra, com simpatia e consciência. Na sua primeira oportunidade como treinador, nas divisões de base do Metropolitano de Blumenau (SC), em 2010, aprendeu uma lição importante que leva como lema: não olhar para as condições adversas de trabalho como barreiras, como desculpa para maus resultados; fazer o melhor possível com o que há disponível é a forma como ele pauta a carreira. "Graças à Deus, hoje estou em um lugar onde tenho ótimas condições para exercer minha função", afirma. Há quase cinco meses no comando do Volta Redonda, o treinador acredita que o saldo vem sendo positivo. O primeiro objetivo, permanecer na primeira divisão do Carioca, foi alcançado com o bônus de uma semifinal da Taça Rio. Hoje, em plena preparação para a disputa da Copa Rio, comemora a oportunidade de poder firmar um estilo de trabalho no Voltaço. "Hoje eu vejo alguns jogadores, que estão com a gente desde o estadual, cobrando dos mais novos coisas que antes eu cobrava sozinho. Isso é importante", enfatiza. 
Não é a primeira passagem de Cairo pelo clube. No Carioca do ano passado ele foi auxiliar do também mineiro Ricardo Drubscky. Os dois já se conhecem há quase 20 anos, quando Ricardo comandou um promissor Cairo nas divisões de base do Atlético Mineiro. Eles também trabalharam juntos no outro Atlético, o do Paraná, clube que Cairo deixou para assumir o Voltaço, justamente por indicação de Ricardo. Nesta semana, Drubscky, que treinava a equipe principal do clube paranaense, foi demitido. "A gente fica triste, até porque é um treinador que foi demitido com quase 70% de aproveitamento. Mas não demora e eu tenho certeza que ele vai estar trabalhando em outra boa equipe", confia Cairo, que cita o antigo comandante como a "principal referência" para a carreira de treinador.   
As duas oportunidades em Volta Redonda ainda não fizeram Cairo conhecer bem a cidade. A rotina casa-trabalho, trabalho-casa impera em seu cotidiano. A família vive em Campinas, visita "quando dá". Quando volta, se despede sem saber quando verá de novo. Consciente da instabilidade comum na profissão, ele preferiu mantê-los na cidade paulista. Mas isso não quer dizer que tenha a intenção de deixar o Voltaço prematuramente. Cairo hoje está focado na disputa da Copa Rio, mas já vislumbra o Estadual e os bons frutos que podem render a próxima temporada. "É para isso que os treinadores brigam, para permanecer um tempo maior nos clubes. Tem muita coisa para fazer, muito para o jogador assimilar e isso demanda tempo", explica, tomando a seleção espanhola como ilustração: "Aquele toque de bola não se constrói do dia para noite. Foi construído ao longo de 20 anos". 
Os reencontros comuns na vida do profissional do futebol trouxeram outra boa surpresa para o treinador. Em 96, Cairo dividia o meio campo do Guarani com um primeiro volante de rara classe, nascido em Volta Redonda. Era Élson, um dos melhores jogadores da história do Voltaço e que hoje atua como braço direito de Cairo no comando do clube. "O reencontro é muito legal por ser o Elson. É um cara de um caráter acima da média, que me ajuda muito nos treinos e tem uma visão de jogo que também me ajuda muito", conta.  
Os dois foram jogadores de talento. Mesmo não parecendo, essa é uma qualidade que pode até atrapalhar a transição de atleta para treinador. "Tem uma expressão que diz que o ex-jogador demora para tirar a chuteira", cita Cairo. A frase indica aquele profissional que trabalha pensando de forma nostálgica, e que, de alguma maneira, coloca o futebol de hoje aquém do que era praticado em seu tempo de profissional. "Jogador não gosta de ouvir 'no meu tempo era isso, aquilo. Não tinha essas chuteiras levinhas'. Já caí na real, eu não jogo mais", confessa.
A estreia do Volta Redonda na Copa Rio acontece no dia 1° de setembro, em Quissamã, contra o time da casa. Há menos de dois meses do início da competição, o técnico está satisfeito com o que tem visto de sua equipe. Além da bagagem de jogador e da simpatia mineira, no Voltaço, Cairo tem carregado a esperança. "Estou muito satisfeito, tenho visto muita entrega dos jogadores e em termos técnicos e táticos também tem sido bem animador", alegra-se. O bom ambiente também é comemorado pelo treinador, que resume o momento com uma frase do companheiro Élson: "Às vezes a gente se preocupa muito em montar um time e não monta uma equipe. Se você tem a equipe, tem o time".